Visita à sede da CEDES
By Sascha Göbel | Destaque da Empresa | 1 de junho de 2026
Tempo de leitura: 6 minutos
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Um passeio espontâneo de motocicleta termina no preciso campus de Landquart da CEDES, onde a discreta engenharia suíça encontra a ambição digital global. Outrora fabricante de cortinas de luz, a CEDES agora comercializa inteligência para elevadores, portas e armazéns por meio de um Sistema de Posicionamento Absoluto óptico com precisão de meio milímetro e o cérebro de segurança SIL 3 iDiscovery, além de uma cortina de luz inteligente que funciona como um hub de dados IoT, alimentando a nuvem Elevate para manutenção preditiva e ordens de serviço orientadas por parceiros. A IA física incorporada em sensores distingue cadeiras de rodas, camas e grupos para otimizar o serviço. Landquart permanece o núcleo de P&D e fabricação neutro em carbono, complementado por centros globais e uma nova fábrica em Sibiu, sinalizando uma disrupção discreta, porém deliberada, no setor.
Onde a precisão suíça encontra a visão digital global.
por Sascha Göbel, correspondente da EW
Os melhores compromissos às vezes surgem em cima da hora. O convite da CEDES me chega apenas alguns dias antes – e eu aceito imediatamente. Principalmente porque o tempo está perfeito: sol brilhante, estradas secas, o Vale do Reno em seu auge primaveril. Preparo meu capacete e parto para a aventura. Uma decisão da qual não me arrependo nem por um segundo.
A viagem pela Floresta Negra, na Alemanha, é uma experiência por si só: paisagens montanhosas, ar puro, estradas sinuosas. Uma pernoite em Allgäu, na Alemanha, e a chegada na sexta-feira de manhã. Ao entrar no Parque Científico Landquart, na Suíça, algo muda. A precisão reina aqui. O campus é moderno, amplo – quase imponente para uma empresa que se porta com uma confiança serena. Arquitetura serena, atmosfera focada e a inconfundível sensação de que algo sério está sendo construído por trás dessas paredes.
Andreas Hunziker, presidente de vendas para a Europa, Oriente Médio e África (EMEA), me recebe pessoalmente. O que até então era uma conexão pelo LinkedIn assume uma qualidade completamente diferente neste momento – o aperto de mãos, a conversa direta, o primeiro olhar para os galpões de produção. E imediatamente, uma frase que define o tom de toda a visita: “Sou Andy”. Sem título, sem protocolo. Hunziker é um daqueles gestores que sabem explicar sem simplificar demais – e que lideram sem precisar de distância. A CEDES é uma daquelas empresas que você só entende de verdade quando a visita.
Mais do que um fabricante de sensores
Quem ainda pensa na CEDES como uma produtora de cortinas de luz está enganado – essa é a primeira lição desta visita. Nos últimos dois anos, a empresa passou por uma transformação fundamental: de fornecedora de componentes a parceira de sistemas digitais para a indústria global de elevadores, bem como para os setores de portas industriais e gestão de armazéns. “Não vendemos mais apenas hardware”, afirma Hunziker. “Vendemos inteligência – e isso começa na caixa do elevador.”
Os números comprovam a ambição global: a CEDES está presente em mais de 60 países atualmente, com centros regionais em Minneapolis, Minnesota; Xangai, China; Singapura; Tóquio; e unidades de produção em Landquart; Sibiu, Romênia; e Changshu, China. Mas o núcleo tecnológico permanece exatamente onde sempre esteve: aqui, em Landquart.

A Torre de Teste – Um Metro de Confiança
Antes de falarmos sobre a tecnologia, Hunziker me leva para fora. Meu olhar é imediatamente atraído pela torre de testes da CEDES – uma estrutura impressionante que domina o campus e levanta a questão: qual a sua altura? Quando descobrimos a resposta, ela diz tudo: a torre é exatamente 1 metro mais alta que a torre de testes de uma conhecida empresa suíça de elevadores. Uma coincidência, claro. E, na época de sua construção, abrigava o elevador mais rápido da Suíça – 4.1 m/s. Hunziker menciona esse detalhe com um sorriso que oscila entre o orgulho e a modéstia suíça.
É aqui que a CEDES testa, em condições reais, a precisão do posicionamento, os sistemas de segurança e o comportamento dos sensores em velocidade máxima. A torre não é apenas infraestrutura – é uma declaração de intenções.
O poço de elevação como centro de dados
O que emerge dos galpões de produção pode parecer, à primeira vista, pouco espetacular: sensores, cortinas de luz, sistemas de posicionamento. Mas o detalhe – e o valor – está na execução.
O Sistema de Posicionamento Absoluto (APS) é um sistema puramente óptico: uma câmera lê um código portador único no poço do motor e determina a posição da cabine com precisão de meio milímetro – a velocidades de até 20 m/s e em distâncias de até 1.5 km. Isso diferencia a CEDES dos concorrentes que utilizam princípios de sensores diferentes.
O sistema iDiscovery com certificação SIL 3 complementa o APS como um cérebro eletrônico de segurança: ele assume o controle de toda a cadeia de segurança e substitui, por exemplo, limitadores de velocidade mecânicos, interruptores de limite e sensores de movimento involuntário da cabina. O conceito de "Poço de Elevador Simplificado" não é uma fórmula de marketing – é uma realidade de engenharia comprovada, particularmente valiosa em modernizações onde a altura livre ou a profundidade do poço são limitadas.
Internet das Coisas: A Cortina de Luz Ganha Olhos
Hunziker diz:
“De qualquer forma, já existe uma cortina de luz – então, por que não aproveitar para coletar dados úteis para o operador? Nós, independentes do fabricante, estamos bem aqui.” the source A causa da maioria das falhas: as portas. E não temos apenas medições de vibração ali – temos olhos."
O ponto principal fica imediatamente claro: a cortina de luz inteligente/cegard, em combinação com a unidade de controle instalada no teto da cabine, funciona como um hub de dados completo. Acelerômetros, sensores de temperatura ambiente, monitoramento do ciclo de abertura e fechamento das portas – tudo isso alimenta a plataforma em nuvem CEDES Elevate, que traduz os dados brutos em recomendações específicas para os técnicos de serviço. Independente do fabricante. Isso se aplica a qualquer instalação existente, independentemente da marca e da idade.
O resultado é uma manutenção preditiva que faz jus ao nome. Sensores detectam mudanças graduais antes que uma falha ocorra. Por meio de parcerias com empresas como a FIELDBOSS, os sinais de falha são traduzidos diretamente em ordens de serviço – o técnico chega com a peça de reposição correta, logo na primeira visita. Para empresas de serviços e administradores de edifícios, o potencial econômico é enorme.
Inteligência Artificial Física: O Elevador Que “Vê”
Um momento na área de demonstração ficou gravado na minha memória. Em uma tela, observei o sistema distinguir em tempo real entre uma cadeira de rodas, uma cama de hospital e um grupo de pessoas em pé – sem uma câmera dedicada, usando apenas a interpretação inteligente dos dados da grade de luz. Quando uma cama de paciente é detectada, o elevador muda automaticamente para o modo de viagem direta: sem paradas intermediárias, máxima discrição, transporte rápido. “Isso não é uma visão do futuro. Está funcionando hoje”, diz Hunziker.
Um hospital em Münster, na Alemanha, é um dos projetos de referência – e um exemplo de grande entusiasmo. Os tempos de espera foram reduzidos, a logística otimizada e a qualidade do atendimento melhorou de forma tangível. Essa forma de IA física – inteligência incorporada diretamente no sensor, e não delegada à nuvem – representa o próximo passo evolutivo. E o CEDES está definindo o padrão.

Fabricado na Suíça – Com convicção
Pergunto a Hunziker por que a CEDES só transferiu toda a sua produção para o exterior há pouco tempo. A resposta vem sem hesitação: “Em nosso setor, os clientes compram confiança. E a confiança tem um endereço.”
Esse endereço é Landquart. E é neutro em carbono: 1,750 m² de painéis fotovoltaicos produzem aproximadamente 360,000 kWh anualmente, o aquecimento urbano proveniente de uma usina local de recuperação de resíduos substitui os combustíveis fósseis e a frota da empresa está em transição para veículos elétricos. Isso é sustentabilidade como convicção vivida, não uma estratégia de comunicação.
A nova fábrica em Sibiu – construída em apenas 11 meses – assume a capacidade de produção de tecnologia de sensores para portas industriais, aliviando a pressão sobre a Landquart sem afetar seu papel como centro global de P&D.
Partida – Em todos os sentidos
Ao colocar o capacete de volta e sair do Parque Científico, o clima é diferente da ida – não por causa do tempo, que continua perfeito – mas porque levei comigo mais do que esperava. Não apenas fatos e nomes de produtos, mas a sensação de uma empresa que sabe quem é e para onde está indo.
A CEDES não fala muito sobre disrupção. Ela a implementa, de forma discreta e precisa – à maneira suíça. A combinação de cultura de produção, alcance global e um roteiro digital claro faz da empresa uma das mais relevantes no setor de mobilidade vertical da atualidade.
Em 2026, o setor de elevadores precisa de parceiros, não de fornecedores. Na Landquart, eles entendem essa diferença. E às vezes é preciso um convite de última hora — e um dia livre de moto — para vivenciar isso em primeira mão. Voltarei.