Dos dados às decisões
Por Santiago Arámbula, Jonathan Taub, Héctor Reboredo | Manutenção | 15 de abril de 2026
Tempo de leitura: 14 minutos
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Diante de frotas envelhecidas, uma oferta cada vez menor de técnicos qualificados e crescentes pressões regulatórias e de segurança, a indústria de elevadores precisa migrar de reparos reativos para manutenção preditiva, baseada em dados. Mercados fragmentados e barreiras linguísticas amplificam os riscos na América Latina, enquanto as barreiras globais incluem custo, conectividade e sistemas proprietários. Os avanços em IoT, nuvem e IA permitem o monitoramento remoto e fluxos de trabalho em circuito fechado que transformam alertas de sensores em ordens de serviço priorizadas e feedback de campo verificado, melhorando a detecção, reduzindo falsos alarmes e diminuindo a incidência de incidentes. Dados de projetos-piloto e integrações como o CEDES Elevate com o FIELDBOSS demonstram ganhos mensuráveis em tempo de atividade, segurança e produtividade, além de um claro retorno sobre o investimento (ROI), tornando a colaboração e o compartilhamento de dados essenciais para as futuras operações de elevadores.
Construindo o Ecossistema de Elevadores Conectados
por Santiago Arámbula, Jonathan Taub e Héctor Reboredo

Este artigo foi apresentado no Simpósio Internacional de Elevadores e Escadas Rolantes de 2025, em Buenos Aires, Argentina.
Sumário
A discrepância entre um portfólio crescente de ativos obsoletos e um número cada vez menor de técnicos de elevadores qualificados cria desafios críticos de operação e segurança em mercados globais. Somente nos EUA, incidentes com elevadores e escadas rolantes resultam em aproximadamente 17,000 ferimentos anualmente, com colisões com portas e aprisionamentos levando a uma supervisão regulatória mais rigorosa. Na América Latina, esses problemas são agravados por regulamentações fragmentadas, padrões de treinamento inconsistentes e relatórios de segurança limitados. O crescimento urbano impulsiona a demanda, enquanto a escassez de peças e as modernizações pouco regulamentadas criam riscos operacionais e de segurança, ilustrados por acidentes de alta gravidade.
Os modelos tradicionais de manutenção reativa estão cada vez mais inadequados, enquanto abordagens mais proativas, viabilizadas por tecnologias digitais, oferecem soluções escaláveis. Setores como o de HVAC e o de equipamentos rotativos industriais fizeram a transição com sucesso para o gerenciamento remoto de ativos, estabelecendo um precedente para elevadores. No entanto, a adoção no setor de elevadores tem sido lenta devido aos altos custos iniciais, problemas de conectividade e restrições regulatórias. Sistemas proprietários historicamente limitaram a interoperabilidade e o acesso aos dados.
Os recentes avanços em IoT, computação em nuvem e IA estão superando essas barreiras. Plataformas de monitoramento remoto, como o CEDES Elevate, demonstraram valor tangível, com elevadores monitorados apresentando uma redução de 15% em incidentes relacionados à segurança. Os primeiros resultados de projetos-piloto na América Latina exemplificam o potencial dessa tecnologia para a região. Paralelamente, plataformas de Gestão de Serviços de Campo, como o FIELDBOSS, permitiram que as empresas contratadas ampliassem suas operações de forma eficiente, melhorando a produtividade dos técnicos e a satisfação do cliente. A integração em circuito fechado dos dois sistemas, apresentada neste artigo, amplia ainda mais o conhecimento operacional, possibilitando intervenções proativas e melhor alocação de recursos.
À medida que o setor evolui, a colaboração no ecossistema e o compartilhamento de dados serão essenciais para superar a lacuna de técnicos e garantir um transporte vertical (TV) seguro e confiável. A convergência de tecnologia, regulamentação e prontidão do mercado sinaliza uma nova era para a manutenção de elevadores — uma era impulsionada por dados, conhecimento e inovação.
1. Introdução
A manutenção de elevadores tem operado tradicionalmente em um modelo reativo, no qual o serviço só começa quando o equipamento quebra. Mas e se não precisasse ser assim? E se a manutenção pudesse começar assim que os dados indicassem que algo estava prestes a dar errado?
O setor de elevadores está em um momento decisivo. Infraestrutura obsoleta, escassez de técnicos e exigências regulatórias crescentes estão pressionando os modelos tradicionais de manutenção. Enquanto isso, a transformação digital está remodelando a gestão de ativos em diversos setores — de HVAC à IoT industrial — oferecendo lições valiosas e tecnologias que podem ser adaptadas à VT.
Este artigo explora uma visão transformadora para a manutenção de elevadores: uma visão em que sensores inteligentes e sistemas de campo responsivos trabalham em conjunto para antecipar problemas e agir antes que ocorram interrupções. Ao integrar a solução de monitoramento remoto da CEDES com o software de gestão de serviços de campo da FIELDBOSS, propomos um ecossistema conectado que transforma dados brutos de elevadores em informações práticas, proporcionando melhorias mensuráveis em segurança, disponibilidade, produtividade dos técnicos e satisfação do cliente. Por meio de exemplos reais e dados piloto, demonstramos como essa mudança pode gerar eficiência operacional e ganhos financeiros em toda a cadeia de valor dos elevadores, desde provedores de serviços independentes (ISPs) e técnicos até proprietários de edifícios e usuários.
2. O Mundo Hoje: Estado Atual da Manutenção de Elevadores
Os elevadores são indispensáveis para a vida urbana moderna, facilitando a mobilidade vertical em edifícios residenciais, comerciais e industriais. No entanto, o panorama global da manutenção de elevadores está cada vez mais sobrecarregado pela infraestrutura envelhecida, escassez de mão de obra, complexidade regulatória e modelos de serviço obsoletos.
2.1. Desafios Globais
Muitos sistemas de elevadores em operação hoje foram instalados há décadas e estão se aproximando de sua vida útil esperada, com estimativas de que 8 milhões dos 22 milhões de elevadores instalados tenham 20 anos ou mais (Otis, 2025). Somente nos EUA, existem quase 1 milhão de elevadores, dos quais mais de 50% têm mais de 20 anos (Otis, 2024) e exigem reparos e modernização frequentes para se manterem seguros e eficientes. O desgaste do uso diário — elevando o equivalente a um carro pequeno centenas de vezes por dia — inevitavelmente leva à degradação mecânica.
Embora a necessidade de manutenção desses equipamentos antigos esteja crescendo, o setor de elevadores enfrenta uma escassez crítica de técnicos qualificados, agravada pelo envelhecimento da força de trabalho e pela oferta limitada de treinamentos. Com a aposentadoria de profissionais experientes, cada vez menos novos entrantes estão preparados para prestar serviços tanto em sistemas antigos quanto modernos. A pesquisa do setor realizada pela ELEVATOR WORLD em 2023 revelou a disponibilidade de técnicos qualificados como o principal fator de risco para as empresas de elevadores, além de uma preocupação generalizada com a falta de habilidades em solução de problemas mecânicos entre os aprendizes (EW, 2023).
Outro fator que dificulta a manutenção reside na complexidade das normas. A manutenção de elevadores é regida por uma complexa rede de regulamentações locais e nacionais, que variam significativamente entre as regiões. A conformidade com as normas de segurança em constante evolução muitas vezes exige atualizações dispendiosas e documentação detalhada, o que impõe encargos adicionais tanto aos proprietários dos edifícios quanto aos prestadores de serviços.
2.2. Perspectiva Latino-Americana
Embora a América Latina compartilhe muitos dos desafios globais mencionados acima, a região enfrenta restrições adicionais que moldam seu cenário de manutenção de elevadores. O mercado na região é altamente fragmentado, com uma mistura de pequenos fornecedores independentes e empresas multinacionais (EMNs). Na Argentina, por exemplo, “o mercado de instalação é dominado por 90% de empresas independentes (mercado livre) e 10% por EMNs; no Brasil, a proporção é quase oposta, 20/80” (Lueje e Guillerni, 2024). Essa fragmentação leva à inconsistência na qualidade do serviço e ao acesso limitado a tecnologias avançadas.
O problema da escassez de competências é ainda mais agravado pelas barreiras linguísticas e pelo acesso desigual aos recursos técnicos. A documentação e as ferramentas de suporte estão frequentemente disponíveis apenas em inglês – na melhor das hipóteses – e, por vezes, em línguas ainda menos familiares aos técnicos regionais, o que limita severamente a acessibilidade para profissionais que falam espanhol ou português. Esta lacuna é particularmente problemática quando os fabricantes globais não oferecem suporte no idioma local. Em resposta, os técnicos desenvolveram soluções digitais informais, utilizando ferramentas como aplicativos de tradução e mensagens para comunicar, resolver problemas e partilhar soluções. Embora longe do ideal, estes métodos improvisados refletem uma forma de transformação digital espontânea, impulsionada pela necessidade e não por estratégia.
Os esforços de modernização estão atrasados em relação às tendências globais devido a limitações orçamentárias, desafios de infraestrutura e acesso limitado a peças. Muitos edifícios continuam a operar com sistemas obsoletos, aumentando o risco de avarias e incidentes de segurança. No entanto, a região está a registar um crescimento rápido, com o mercado de modernização de elevadores projetado para crescer de US$ 681 milhões em 2023 para US$ 1.6 mil milhões em 2032 (Chandwade, 2024), impulsionado pela urbanização e pelas exigências de segurança.
2.3. Consequências de manter uma postura reativa
A manutenção reativa continua sendo o modelo padrão em grande parte do setor. Embora aparentemente econômica a curto prazo, essa abordagem acarreta riscos operacionais, financeiros e de segurança significativos. Paradas não planejadas interrompem as operações do edifício, frustram os inquilinos e corroem a confiança nos prestadores de serviços. Em ambientes de grande circulação, como hospitais ou hotéis, mesmo breves interrupções podem comprometer a acessibilidade e a segurança. Práticas inadequadas de agendamento e despacho frequentemente resultam em alertas falsos, visitas repetidas de técnicos e uso ineficiente de recursos, enquanto o registro manual limita a visibilidade da condição dos ativos e do status de conformidade.
Para os proprietários de edifícios, a pressão financeira é agravada pelas taxas de chamadas de emergência, pedidos urgentes de peças e redução da vida útil dos equipamentos devido à manutenção adiada. Além disso, os modelos reativos aumentam a exposição à responsabilidade civil, especialmente quando ocorrem incidentes de segurança devido a falhas não detectadas. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), as lesões relacionadas a elevadores nos EUA resultam em mais de 17,000 visitas a hospitais anualmente, com mais de 30 mortes, 90% das quais ligadas a elevadores e não a escadas rolantes (Dong, Katz e Wang, 2018).
3. O Ponto de Virada: Transformação Digital e Inteligência Preditiva
3.1. Transformação Digital Além da Indústria de Elevadores
A transformação digital, que vai além do setor de elevadores, demonstra a viabilidade da manutenção preditiva. No setor de serviços de HVAC, sensores habilitados para IoT monitoram continuamente parâmetros de equipamentos, como temperatura, pressão, vibração e consumo de energia, transmitindo dados para plataformas em nuvem em tempo real. Isso permite que os contratistas detectem anomalias antes que os clientes percebam os problemas, prevejam falhas de componentes e agendem manutenções preventivas. Os técnicos de campo se beneficiam de ferramentas móveis que exibem dados de diagnóstico e históricos de serviços, alcançando maiores taxas de resolução de problemas na primeira visita e reduzindo as visitas de serviço não planejadas. Essas capacidades permitiram que os contratistas de HVAC desenvolvam novos modelos de negócios, incluindo serviços de monitoramento por assinatura que agregam valor contínuo, reduzindo os custos operacionais em 20 a 30% por meio da otimização de energia e intervenções preditivas.
3.2. Barreiras à Adoção na Indústria de Elevadores
Historicamente, a indústria de elevadores tem sido lenta na adoção de novas tecnologias, em grande parte devido a práticas consolidadas e a uma cultura de "fazer as coisas como sempre foram feitas". Muitas empresas de serviços de elevadores foram fundadas por técnicos qualificados que se tornaram proprietários de empresas, trazendo consigo profundo conhecimento mecânico, mas pouca experiência com ferramentas digitais ou sistemas escaláveis. Essa mentalidade tradicional muitas vezes priorizou a resolução de problemas na prática em detrimento da tomada de decisões baseada em dados.
No entanto, o cenário está começando a mudar. À medida que a geração fundadora se aposenta, a próxima geração assume o controle e investidores de capital privado entram no mercado, uma nova onda de liderança está emergindo – uma liderança mais voltada para a tecnologia, para os negócios e aberta à inovação. Esses novos participantes estão impulsionando a introdução de produtos e plataformas modernas, reconhecendo que a manutenção preditiva, o monitoramento remoto e os fluxos de trabalho integrados podem melhorar significativamente a qualidade do serviço, a eficiência operacional e a lucratividade. O setor de elevadores está agora em um ponto de inflexão, onde a transformação digital não é mais uma aspiração futura, mas um imperativo presente.
3.3. Dos bilhetes de papel ao moderno software de gestão de serviços de campo
A mudança geracional na indústria de elevadores foi acompanhada por uma evolução paralela nas ferramentas operacionais.
Até recentemente, muitas empresas de instalação e manutenção de elevadores dependiam de ordens de serviço em papel, planilhas e sistemas desconectados para gerenciar chamadas de serviço, cronogramas de manutenção e faturamento. Essa abordagem fragmentada limitava a visibilidade, atrasava os tempos de resposta e dificultava a identificação de padrões ou a otimização de recursos.
As plataformas modernas de gestão de serviços de campo (FSM, na sigla em inglês) transformaram esse cenário ao unificar o agendamento, o despacho, o acompanhamento da conformidade e as operações financeiras em um único ambiente baseado em nuvem. Plataformas como o FIELDBOSS oferecem aos contratistas de elevadores acesso móvel ao histórico de equipamentos e registros de manutenção, gerenciamento automatizado de ordens de serviço e rastreamento integrado de ativos que vincula históricos de serviço, registros de conformidade e uso de peças às contas dos clientes. Ao capturar informações estruturadas e em tempo real sobre cada evento de serviço, as plataformas FSM criam a infraestrutura de dados necessária para que a manutenção preditiva gere valor comercial mensurável.
3.4. Manutenção preditiva como um importante fator de valor para os negócios
A manutenção preditiva está emergindo rapidamente como uma estratégia de alto retorno sobre o investimento em toda a indústria de elevadores (Brügge, 2023), oferecendo benefícios distintos para prestadores de serviços independentes, administradores de edifícios e técnicos.
Para os provedores de serviços de internet (ISPs), a integração de monitoramento e análise habilitados pela IoT abre novas oportunidades de receita e margem, desde a venda de hardware para componentes de modernização até serviços de monitoramento por assinatura. Esses serviços, como diagnósticos remotos e plataformas de comunicação de emergência, geram receita recorrente e, ao mesmo tempo, agregam valor ao cliente. As ferramentas preditivas também melhoram as taxas de sucesso em modernização e reparos, já que as propostas baseadas em dados são mais atraentes e direcionadas.
Os gestores de edifícios beneficiam-se da redução do tempo de inatividade, com sistemas de IoT capazes de evitar pelo menos um retorno por ano por elevador, o que se traduz em uma significativa redução de custos. Além disso, as informações preditivas ajudam a evitar visitas desnecessárias de técnicos e auxiliam na validação de faturas, melhorando a transparência operacional. Para os técnicos, a manutenção preditiva permite um melhor planejamento e agendamento, reduzindo o estresse e melhorando o equilíbrio entre vida profissional e pessoal — uma vantagem já observada em outros setores que passam por transformação digital. Ao fornecer uma única fonte de informações confiáveis sobre a saúde dos elevadores, essas tecnologias também reduzem a rotatividade de contratos e fortalecem os relacionamentos com os clientes a longo prazo. À medida que o mercado amadurece, a manutenção preditiva deixa de ser apenas uma atualização técnica e se torna uma alavanca estratégica para o crescimento dos negócios e a excelência operacional.
4. Por dentro da tecnologia: como funciona o circuito fechado
A justificativa comercial para a manutenção preditiva, descrita na Seção 3.4, depende de uma base técnica que traduza os dados dos sensores em ações de campo oportunas. A integração CEDES-FIELDBOSS fornece essa base por meio de um sistema de circuito fechado facilitado por uma interface de programação de aplicativos (API) em tempo real, conectando cinco etapas operacionais: detecção de desligamento, transmissão de alertas, criação de ordens de serviço, resolução em campo e síntese de feedback.
Os sensores CEDES monitoram continuamente os parâmetros operacionais do elevador, incluindo o tempo de ciclo das portas, os padrões de vibração e os perfis de aceleração da cabine. Quando ocorre uma parada programada, a plataforma gera automaticamente um alerta de alta prioridade contendo metadados estruturados: identificador do equipamento, registro de data e hora, leituras dos sensores, tipo de evento e contexto de diagnóstico. Esse alerta é transmitido para a FIELDBOSS via API em segundos, permitindo a notificação imediata da equipe do escritório.
A equipe administrativa analisa o alerta e verifica as condições atuais do local antes de criar e enviar uma ordem de serviço. O sistema encaminha a ordem de serviço para o técnico apropriado com base em critérios predefinidos. Os técnicos recebem as tarefas por meio de um aplicativo móvel, que mostra o motivo do trabalho, conforme especificado pela equipe administrativa. No local, eles verificam a condição e executam as ações corretivas, registrando observações, peças, identificação da causa raiz e status da resolução diretamente no aplicativo móvel. Esses registros com data e hora criam um histórico completo de auditoria, da detecção à resolução.
O ciclo de feedback se fecha quando os dados de resolução retornam à plataforma CEDES, enriquecendo os dados originais do sensor com resultados de campo verificados. Ao longo de eventos de serviço sucessivos, o CEDES utiliza essas informações para refinar os algoritmos de detecção, ajustar os limites de alerta e reduzir os falsos positivos. Esse refinamento iterativo proporciona os benefícios operacionais descritos na Seção 3.4: menos despachos falsos, maior tempo de atividade e documentação de conformidade mais robusta. Cada evento de serviço se torna um exemplo de treinamento, construindo uma biblioteca de relações padrão-resultado que reflete o comportamento real do equipamento, em vez de modelos teóricos.

5. Casos vencedores de projetos piloto.
Projetos-piloto recentes demonstraram o valor tangível da manutenção preditiva e do monitoramento remoto nas operações de elevadores (CEDES, 2025). Um exemplo notável ocorreu em uma grande estação de metrô, onde o sistema sinalizou uma possível parada não registrada nos arquivos oficiais de manutenção. Após investigação, a equipe de análise examinou os dados brutos dos sensores e acelerômetros, confirmando a inatividade prolongada e padrões de deslocamento incomuns, indicativos de atividade de manutenção. Uma investigação mais aprofundada revelou que a substituição de um componente havia ocorrido, mas não foi formalmente relatada, validando a capacidade do sistema de identificar eventos de manutenção não registrados e se estabelecendo como uma fonte confiável de informações.
Em outro caso, a plataforma CEDES Elevate emitiu um alerta de segurança da porta devido ao aumento dos níveis de vibração em um andar específico. Um técnico foi ao local e descobriu que um rolete da porta havia saído do trilho – um problema invisível sem abrir o mecanismo. O rolete foi prontamente substituído, evitando maior desgaste e um possível travamento da porta que poderia ter levado a reparos emergenciais dispendiosos ou até mesmo a um aprisionamento. Como a situação ocorreu em um hospital, o tempo de inatividade do elevador resultante poderia ter sido crítico.
Esses exemplos destacam como as tecnologias preditivas podem aumentar a visibilidade, reduzir os riscos e possibilitar intervenções oportunas que melhoram tanto a segurança quanto a eficiência operacional.
A América Latina está atingindo um ponto crucial na transformação digital da manutenção de elevadores. O feedback do mercado revela uma forte necessidade de maior transparência e confiabilidade nas práticas de manutenção (McKinsey, 2023a), (Deloitte, 2022). Proprietários de edifícios e gestores de instalações buscam insights mais claros e baseados em dados sobre o desempenho dos equipamentos, enquanto os provedores de serviços, tanto multinacionais quanto ISPs, enfrentam uma pressão crescente para melhorar a eficiência na detecção e no reporte de falhas (IDB, 2022).
A ausência de dados de desempenho consistentes muitas vezes transforma as decisões de modernização ou reparo em questões de confiança, em vez de evidências, causando atrasos e ineficiências (Siemens, 2022; Fórum Econômico Mundial, 2024). A manutenção preditiva, impulsionada por sistemas de monitoramento remoto e ferramentas digitais de gestão de campo, aborda diretamente esses desafios. Projetos-piloto em andamento em grandes edifícios no Uruguai e na Argentina devem validar essas soluções, comprovando que sistemas conectados e orientados por dados podem gerar benefícios mensuráveis para todas as partes interessadas na região (IDC América Latina, 2024).
Apesar dos desafios atuais, a América Latina está preparada para a transformação digital na manutenção de elevadores. Projetos em andamento demonstram como tecnologias inteligentes, como manutenção preditiva, monitoramento remoto e diagnósticos baseados em sensores, podem melhorar a segurança e reduzir custos.

6. Conclusões
O setor de elevadores está em um momento crucial. Diante da infraestrutura envelhecida, da redução da força de trabalho técnica e das crescentes exigências de segurança e regulamentação, os modelos tradicionais de manutenção reativa já não são suficientes. Este artigo explorou como a manutenção preditiva — viabilizada por IoT, IA e plataformas em nuvem — oferece uma alternativa escalável e proativa que pode transformar o serviço de elevadores em um ecossistema conectado e orientado por insights.
Por meio da integração de sistemas inteligentes de monitoramento remoto, como o CEDES Elevate, e ferramentas de gerenciamento de serviços de campo, como o FIELDBOSS, demonstramos como esses sistemas de circuito fechado podem reduzir o tempo de inatividade, aumentar a produtividade dos técnicos e melhorar os resultados em segurança. Dados de projetos-piloto na América Latina mostram que, mesmo em regiões com regulamentações fragmentadas e recursos limitados, a transformação digital não só é possível, como já está em curso.
Embora a manutenção preditiva seja por vezes vista como dispendiosa em mercados sensíveis a custos como a América Latina, esta perspetiva ignora os custos ocultos da ineficiência, do tempo de inatividade prolongado, das falhas repetidas e da redução da confiança do cliente (McKinsey, 2023a; Siemens, 2022). As experiências do setor manufatureiro da região demonstram que os sistemas preditivos baseados na IoT podem reduzir o tempo de inatividade não planeado em mais de 20%, alcançando um rápido retorno do investimento mesmo em contextos de custos laborais mais baixos (McKinsey, 2023b).
A justificativa comercial é clara: a manutenção preditiva proporciona um retorno sobre o investimento (ROI) mensurável para prestadores de serviços independentes, gestores de edifícios e técnicos. Ela permite uma alocação de recursos mais inteligente, reduz as ineficiências operacionais e fomenta a confiança do cliente a longo prazo. À medida que a próxima geração de líderes do setor adota a tecnologia e a tomada de decisões baseada em dados, o setor de elevadores está preparado para evoluir de um serviço reativo para um desempenho proativo.
A adaptação dos modelos de digitalização às realidades locais torna a implementação viável e autossustentável ao longo do tempo (Accenture, 2023). No médio prazo, os ganhos operacionais e de transparência justificam o investimento; no longo prazo, as empresas que não se adaptarem correm o risco de ficar para trás, à medida que o padrão da indústria se direciona para a manutenção conectada e orientada por dados (IDC América Latina, 2024).
Em última análise, o futuro da manutenção de elevadores reside na colaboração, transparência e inovação. Ao colmatar a lacuna entre hardware e software, entre dados e ação, e entre práticas antigas e expectativas modernas, podemos construir um ecossistema de elevadores virtuais mais seguro, mais fiável e mais inteligente.
Referências
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