A verdade sobre os elevadores na Turquia
By Semih Çalık | Plataforma dos Leitores | Janeiro 2, 2026
Tempo de leitura: 6 minutos
OUÇA ESTE ARTIGO
O setor de elevadores da Turquia aparenta dinamismo em meio à construção civil em expansão, mas esconde uma profunda fragilidade econômica e operacional, enraizada no comportamento do mercado e na estrutura de custos. A forte dependência de componentes importados gera uma exposição cambial de 65% a 75%; após uma queda de 32% na lira turca em 2025 e previsões de aumentos de 18% a 25% em 2026, os preços se tornam imprevisíveis e a concorrência favorece aqueles que conseguem absorver o risco cambial. As empresas de instalação, com margens de lucro de 5% a 8%, arcam com a maior parte dos prejuízos, enquanto os preços desatualizados da manutenção comprometem os ciclos de receita. Peças de baixo custo elevam as despesas operacionais ao longo da vida útil dos elevadores, e as lacunas em mão de obra, treinamento e manutenção tornam as unidades turcas muito mais caras ao longo do tempo do que as equivalentes europeias. Preços sustentáveis, análises de custos transparentes e padrões da indústria são essenciais para estabilizar o ecossistema.
Olá a todos,
Ao entrarmos em um novo ano, achei que seria benéfico para a indústria de elevadores se questionar novamente sobre alguns assuntos, então gostaria de abordar alguns tópicos que vêm sendo discutidos há muito tempo, mas que ainda não foram colocados por escrito.
Nesta série de artigos, intitulada "A Verdade Sobre os Elevadores na Turquia", pretendo analisar mais de perto o funcionamento interno do setor até 2026 e abordar diversos tópicos, desde custos e histórias humanas até problemas estruturais e riscos futuros, de forma clara e direta.
Esta série será baseada nas realidades que encontramos todos os dias no campo, em vez de histórias de sucesso embelezadas.
Espero que o novo ano traga uma perspectiva mais saudável, sustentável e realista para o nosso setor.
Gostar de ler.
O Lado Invisível do Ecossistema dos Elevadores: Custos Reais, Perdedores Silenciosos e Vulnerabilidade Estrutural
A verdade sobre os elevadores na Turquia
Um observador externo do setor de elevadores na Turquia poderia pensar que este setor é muito dinâmico, dado o volume crescente de construções e o número cada vez maior de projetos. No entanto, todos que trabalham nos bastidores do setor sabem que, por trás desse dinamismo visível, reside uma fragilidade econômica e operacional que permanece sem solução há anos. Essa fragilidade muitas vezes não é técnica, mas sim resultado direto do comportamento do mercado e da estrutura de custos.
Custos ocultos e dependência cambial
Ao longo de 2025, as flutuações cambiais foram o principal fator determinante de todos os cálculos de custos no setor. Uma parcela significativa de componentes ou peças críticas, como motores, unidades de controle, grupos de válvulas, operadores de portas e placas eletrônicas, ainda são importadas. Isso se traduz em uma dependência cambial entre 65% e 75% na estrutura de custos média.
Ao longo de 2025, a lira turca perdeu aproximadamente 32% do seu valor face às principais moedas. Os economistas preveem um aumento anual de 18 a 25% para 2026. Esta previsão explica claramente por que o setor muitas vezes "não consegue antecipar o futuro" na definição de preços.
Hoje em dia, mesmo uma diferença de algumas semanas entre o dia em que uma construtora ou um atacadista intermediário apresenta uma proposta e o dia em que adquire os materiais afeta diretamente a rentabilidade do projeto. Portanto, a concorrência de preços muitas vezes é determinada não pela capacidade técnica, mas pela habilidade de absorver o risco cambial.
Os Contratistas Silenciosos da Indústria: Empresas de Instalação e Pequenos Negócios
Permitam-me fazer a pergunta mais realista do setor: quem ganha mais e quem perde mais com este negócio?
No triângulo atacadista-instalador-empreiteiro, a parte que arca com o maior ônus é frequentemente a que recebe a menor fatia. A margem média de lucro para empresas de instalação varia entre 5% e 8%. Um levantamento malfeito, um componente escolhido incorretamente, uma revisão no projeto ou um atraso podem eliminar essa margem em minutos.
A “taxa de conversão de manutenção”, frequentemente mencionada por profissionais do setor, também entra em jogo aqui. O baixo lucro do projeto geralmente é compensado pela receita de manutenção. No entanto, o fato de os preços da manutenção não terem sido atualizados de acordo com os custos reais tornou esse ciclo frágil. Infelizmente, os heróis anônimos desse setor também são seus perdedores silenciosos.
Um dilema crônico: produto barato, resultado caro.
Existe um fenômeno bem conhecido, mas raramente discutido, no mercado turco: quanto menor o custo de aquisição, maior o custo operacional.
Por exemplo, um componente de baixo custo pode funcionar perfeitamente durante os três primeiros meses; no entanto, a frequência de defeitos aumenta a partir do sexto mês. Quais são as consequências disso? Reclamações de clientes, visitas frequentes à assistência técnica, custos com pessoal e perda da reputação da marca.
Então nos voltamos contra a situação e perguntamos: "Por que não conseguimos obter lucro?" Na verdade, a resposta sempre esteve lá: barato nunca é "econômico".
O problema fundamental aqui é que a seleção de produtos ainda se concentra no custo inicial, e a abordagem do "custo total ao longo da vida útil" não ganhou força suficiente no setor.
Diferenças estruturais entre a Europa e a Turquia
Nos países europeus, a qualidade da mão de obra, os padrões de montagem e a disciplina de manutenção são geralmente elevados. Portanto, uma única unidade acarreta aproximadamente 30% de custos adicionais de manutenção ao longo de sua vida útil.
Na Turquia, porém, a mesma unidade de produto pode incorrer em custos adicionais de manutenção de 100% ou mais, dependendo das condições de montagem ou de utilização.
Não é apenas a tecnologia que cria essa diferença; os padrões de trabalho, os níveis de educação, a qualidade dos materiais e a forma como as rotinas de manutenção são implementadas são os principais motivos dessa diferença.
Falando em padrões de qualidade de mão de obra, em nosso país, a mão de obra é um item que deve ser "incluso no preço" entre o fornecedor e o instalador.
Então, quem paga o preço dessa diferença? Posso listar os possíveis culpados da seguinte forma:
- Perda de reputação da marca
- Insatisfação do cliente
- Instalador Ao ir constantemente ao campo
- Indústria com insegurança
Fragilidade do Ecossistema
As análises de mercado mostram que a indústria de elevadores na Turquia tem um alto potencial, mas é frágil devido à dependência da cadeia de suprimentos, ao risco cambial e às fragilidades financeiras das pequenas empresas.
O mercado evoluiu de tal forma que ninguém consegue formular uma estratégia de longo prazo. Todos estão preocupados apenas em sobreviver ao dia a dia.
Qualquer uma das seguintes variáveis — um fabricante de componentes que se retira do mercado, um distribuidor que altera os termos do contrato, uma forte oscilação cambial repentina ou um atraso no financiamento de um projeto — tem o potencial de criar uma reação em cadeia no setor.
Ninguém quer dizer isso hoje, mas a verdade é: o setor não é forte; é apenas resiliente, e resiliência não é uma ação sustentável.
A responsabilidade do setor
Meu objetivo ao escrever este artigo não era criticar ninguém, mas sim destacar algumas realidades. Afinal, o futuro do setor só pode ser construído analisando corretamente esses problemas estruturais, e não ignorando-os.
Existem milhares de empresas, centenas de milhares de funcionários e milhões de usuários neste setor (o setor de elevadores).
Considerando o panorama geral, o primeiro passo necessário para que tudo se encaixe é uma análise de custos transparente, preços sustentáveis e a transformação da qualidade da mão de obra a longo prazo em um padrão da indústria.
Sabemos de tudo isso, mas não falamos sobre isso. E a cada dia que passa sem falar sobre isso, o sistema se deteriora um pouco mais.
E uma palavra final
O setor de elevadores na Turquia é talentoso, criativo, trabalhador e possui um grande potencial. Mas, para que esse potencial seja sustentável, precisamos primeiro olhar para nós mesmos. Assim como até mesmo um elevador potente precisa de inspeções periódicas, esse ecossistema também precisa, de tempos em tempos, expor os fatos para progredir de forma saudável.